A Copa do Mundo de 2023 e o feminismo no futebol brasileiro
- potentiaassessoria
- 7 de ago. de 2023
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A Copa do Mundo começou no dia 20 de julho de 2023. No grupo F, a Seleção Brasileira venceu por 4x0 o Panamá, mas perdeu por 2x1 para a França e empatou por 0x0 com a Jamaica e, infelizmente, foi eliminada da Copa do Mundo, adiando o sonho da primeira estrela.
O título seria inédito porque a seleção feminina ainda não conquistou a Copa do Mundo, e por esse motivo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), principalmente a pedido de jogadoras, decidiu retirar as 5 estrelasreferentes aos títulos mundiais da seleção masculina, que estampavam a camisa da seleção feminina. O primeiro jogo com o novo uniforme ocorreu no dia 27 de novembro de 2020, no qual o Brasil venceu por 6x0 o Equador.
A diferença entre as realidades das seleções brasileira feminina e masculina não é uma questão de sorte ou acaso, uma vez que o futebol feminino foi proibido no Brasil por aproximadamente 40 anos através do decreto-lei 3199/1941, baixado por Getúlio Vargas, que no artigo 54 dizia: “Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país”. O decreto só foi revogado em 1979 (38 anos depois), maso futebol feminino só foi regulamentado em 1983 (42 anos depois). Além disso, a seleção feminina só fez seu primeiro jogo em 1988 (47 anos depois).
Em relação aos clubes, o primeiro campeonato oficial– a Copa do Brasil - foi criado apenas em 2007, quando após perderem a final da Copa do Mundo, as jogadoras da seleção protestaram segurando uma faixa que dizia “Brasil, precisamos de apoio”. Entretanto, a primeira copa continental oficial só foi criada em 2009 – Libertadores -, o primeiro campeonato oficial de pontos corridos –Brasileirão – só foi criado em 2013 e o primeiro campeonato oficial de base só foi criado em 2017 –Paulista sub-17.
Em uma análise da interseccionalidade, conceito criado por Kimberlé Crenshaw cuja definição é “formas de capturar as consequências da interação entre duas ou mais formas de subordinação: sexismo, racismo, patriarcalismo”, o fato de que, na chegada do esporte ao país em 1894, apenas pessoas brancas jogavam e pessoas negras só tiveram acesso ao esporte em 1920, evidencia que o problema é ainda mais profundo para as mulheres negras.
Portanto, o incentivo ao futebol feminino brasileiro é essencial para que se atinja a igualdade com o futebol masculino brasileiro. Nesse sentido, após a eliminação, Marta, a maior jogadora da história do Brasil e do futebol mundial, disse: “Apoiem, continuem apoiando. A Marta acaba por aqui. Não tem mais Copa pra Marta, estou muito grata pela oportunidade que eu tive de jogar mais uma Copa e muito contente com tudo isso que vem acontecendo com o futebol feminino do nosso Brasil e do Mundo. Continuem apoiando. Pra elas, é só o começo, pra mim, é o fim da linha agora”.
Referências bibliográficas:
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