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A origem da guerra entre Israel e Palestina

  • potentiaassessoria
  • 16 de out. de 2023
  • 4 min de leitura

Como nação, os primeiros habitantes das atuais Palestina e Israel (e partes de outros países) foram os Cananeus (segundo a Bíblia, descendentes de Canaã, filho de Cam e neto de Noé - cuja narrativa diz que seus descendentes povoaram a Terra), uma das sete famílias cananaicas ou povo cananeu (formado pelos Amorreus, Cananeus, Ferezeus, Girgazeus, Heveus, Heteus e Jebuzeus). Portanto, inicialmente, a região pode ser chamada de Terra de Canaã.


Entre 1250 a.C. e 1200 a.C., os Israelitas (nome em homenagem a Jacó ou Israel - segundo a Bíblia, filho de Isaac e neto de Abraão; que descendia de Sem; que, por sua vez, era irmão de Cam e filho de Noé), ou tribos de Israel (os descendentes dos doze filhos de Israel), invadiram a região pela primeira vez, conquistando o povo cananeu. De acordo com a Bíblia, Abraão recebeu um chamado de Deus que disse: “Sai-te da tua terra, do meio de seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que lhe mostrarei. Eu farei de você um grande povo, e o abençoarei. Tornarei famoso o seu nome, de modo que se torne uma benção. Abençoarei os que abençoarem você e amaldiçoarei aqueles que o amaldiçoarem. Em você, todas as famílias da terra serão abençoadas”; sendo esse um possível motivo da invasão da Terra de Canaã e o porquê da região ser considerada a Terra Prometida dos descendentes de Abraão.


Entretanto, antes do término da conquista Israelita, por volta de 1150 a.C., surgiu outro invasor: os Filisteus (segundo a Bíblia, descendentes de Mitsrain, filho de Cam e portanto, irmão de Canaã), que, posteriormente, ocuparam grande parte de Canaã, ocupação batizada pelos gregos de “Philistia” ou “Philistéia”, já no hebraico (língua dos descendentes de Heber, um ancestral de Abraão), “Pêlestin” ou “Palestina”, que significa Terra dos Filisteus. A partir desse momento, a região pode ser chamada de Palestina.  


Após muitos conflitos entre Israelitas e Filisteus, entre 1020 a.C. e 1010 a.C., formou-se o Reino de Israel que reduziu o território dos Filisteus à costa da atual Faixa de Gaza (mais duas cidades ao norte). Porém, as vitórias contra os Filisteus e os demais povos não duraram e o Reino de Israel se dividiu em norte e sul. A parte sul era integrada pelas tribos de Judá e Benjamin (dois dos doze filhos de Israel), sendo seus habitantes, em homenagem ao primeiro, chamados de judeus.


Com a invasão dos Assírios e, posteriormente, dos Babilônios, ocorreu a primeira grande diáspora dos judeus, alguns foram feitos cativos e outros emigraram para a Galiléia, o Egito, províncias greco-romanas e o Iêmen. Já com a invasão dos Romanos, ocorreu a segunda grande diáspora dos judeus, que emigraram para a Ásia, Europa e o norte da África. Em suma, como diz Luis Sérgio Krausz, professor de Literatura Hebraica e Judaica na Universidade de São Paulo (USP): “A história judaica é marcada por sucessivas dispersões e diásporas dentro de diásporas”.


Dessa forma, Israel deixou de existir como nação (apesar de manter núcleos de judeus na Palestina) de 63 a.C até 1948. Nesse período, e após a expulsão dos Filisteus, a identidade dos habitantes da Palestina foi se formando em uma variedade de misturas étnicas, mas, majoritariamente, árabes (segundo a Bíblia, descendentes de Ismael, irmão de Isaac e filho de Abraão), que invadiram a região por volta de 661.


Com o surgimento do anti-semitismo moderno que, segundo Sandro Ortona no livro “Dicionário de Política”, é uma “hostilidade em relação aos hebreus” (ORTONA, p. 39) com características nacionalistas e racistas que se iniciou na segunda metade do século XIX; também surgiu, em resposta, o sionismo (nome em homenagem a Sião, um monte ao sul de Jerusalém que, na Bíblia, foi usado como sinônimo da cidade) que defendia a criação de um Estado judeu na Palestina, apesar da presença milenar dos Palestinos na região. Sendo, Theodor Herzl, por meio do livro "O Estado judeu" de 1896, seu principal idealizador. Assim, intensificou-se o fluxo de judeus para a Palestina, principalmente, durante e após o Holocausto.


Com a derrota do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial (que havia anexado a Palestina no século XVI), a Palestina ficou sob o domínio da Grã-Bretanha com o aval da Liga das Nações. Mas, antes mesmo da assinatura do Tratado de Sèvres (1920) que representou a rendição e a divisão do Império Otomano, o secretário dos negócios estrangeiros da Grã-Bretanha, Arthur Balfour, escreveu a chamada Declaração de Balfour que defendia o estabelecimento de um Estado judeu na Palestina, adotando uma política de apoio a emigração dos judeus.


Após o término do mandato da Grã-Bretanha na Palestina e com os crescentes conflitos entre árabes e judeus na região, a Organização das Nações Unidas ou ONU (sucessora da Liga das Nações), por meio da resolução 181 de 1947, determinou que 53% do território da Palestina seria de Israel e 45,4% dos Palestinos, originando a guerra entre Israel e Palestina (além de outros países árabes).

 

Referências bibliográficas:

 

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